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Royalties fixos ou percentuais: qual modelo escolher

Atualizado em · 5 min de leitura · Equipe Franquiei

Royalties percentuais cobram uma porcentagem do faturamento da unidade, então acompanham as vendas. Royalties fixos cobram o mesmo valor todo mês. O fixo pesa mais nos meses fracos, porque a margem do franqueado cai e a cobrança não muda. Como regra prática, escolha o modelo que mantenha os royalties abaixo de cerca de 40% da margem até no mês mais fraco.

Em resumo

  • Royalties percentuais acompanham o faturamento; royalties fixos são iguais todo mês.
  • O fixo é previsível para a franqueadora, mas pesa mais na margem do franqueado nos meses fracos.
  • No exemplo de referência, 6% de R$ 80 mil dão R$ 4.800 por mês.
  • Um piso mínimo com percentual combina previsibilidade com proteção ao franqueado.
  • Teste o modelo no mês fraco, e não só no mês de faturamento médio.

Como funciona cada modelo?

Nos royalties percentuais, o franqueado paga uma porcentagem do faturamento bruto, por exemplo 6%. Nos royalties fixos, ele paga um valor em reais todo mês, independentemente das vendas. A diferença aparece sobretudo no mês em que a unidade vende menos.

Os dois modelos lado a lado
AspectoPercentualFixo
Base da cobrançaFaturamento bruto do mêsValor combinado em contrato
Previsibilidade para a franqueadoraMenor: depende das vendasMaior: receita previsível por unidade
Peso no mês fracoCai junto com o faturamentoNão cai: o valor é o mesmo
Controle necessárioRelatório de faturamento mensalPouco: basta conferir o pagamento
Risco de conflitoDiscussão sobre o faturamento informadoDiscussão sobre o valor, quando o mês é fraco

Os dois modelos precisam aparecer na COF com a base de cálculo, porque o art. 2º da Lei 13.966/2019 exige que as taxas periódicas venham com a base de cálculo.

Quanto cada modelo pesa no bolso do franqueado?

Use a unidade de referência: faturamento de R$ 80.000 por mês, margem de 18% (R$ 14.400) e fundo de 2% (R$ 1.600). Com royalties de 6% (R$ 4.800), o lucro do franqueado é de R$ 8.000 (14.400 − 4.800 − 1.600). Para simplificar, considere que a margem continua em 18% no mês fraco. Na prática, custos fixos fazem a margem cair quando as vendas caem, e o peso dos royalties fica ainda maior.

Exemplo ilustrativo: mês fraco com faturamento de R$ 50.000
ItemRoyalties percentuais (6%)Royalties fixos (R$ 4.800)
Faturamento brutoR$ 50.000R$ 50.000
Margem antes de royalties (18%)R$ 9.000R$ 9.000
Royalties pagosR$ 3.000 (6% de R$ 50.000)R$ 4.800
Royalties como parte da margem33% (3.000 ÷ 9.000)53% (4.800 ÷ 9.000)
Teto de 40% da margemR$ 3.600 (40% de 9.000): respeitadoR$ 3.600: ultrapassado

No mês fraco, o royalty fixo de R$ 4.800 representa mais da metade da margem do franqueado. O royalty percentual, de R$ 3.000, fica dentro da regra prática de 40%. Em um mês de R$ 60.000, o fixo equivale a 8% do faturamento (4.800 ÷ 60.000 = 0,08), enquanto 6% daria R$ 3.600 (60.000 × 0,06).

Quando o royalty fixo faz sentido?

  • A unidade tem faturamento estável e previsível, como em serviços com agenda recorrente.
  • Você precisa de receita previsível para planejar a rede e o seu próprio caixa.
  • O faturamento das unidades é difícil de conferir, e um valor fixo evita discussão sobre números.
  • As unidades são pequenas, e um percentual deixaria a cobrança baixa demais para sustentar o suporte.

Quando o royalty percentual faz mais sentido?

  • O faturamento varia muito de mês para mês, como em operações sazonais.
  • Você quer dividir o risco do mercado com o franqueado: quando a unidade vai mal, a sua receita também cai.
  • Você quer que a sua receita cresça junto com as vendas da rede, sem reajustar valores fixos a cada ano.
  • A unidade tem um ticket médio que você controla e consegue acompanhar o faturamento mensal com facilidade.

Existe um meio-termo: royalty mínimo com percentual?

Sim. Com um piso mínimo, o franqueado paga o maior valor entre o piso e o percentual. No exemplo abaixo, o piso é de R$ 2.000 e o percentual, de 6%.

Exemplo ilustrativo: piso de R$ 2.000 com 6% do faturamento
Faturamento bruto6% do faturamentoRoyalties pagos (o maior valor)
R$ 20.000R$ 1.200R$ 2.000 (piso)
R$ 50.000R$ 3.000R$ 3.000 (percentual)
R$ 80.000R$ 4.800R$ 4.800 (percentual)

Cuidado com o piso. Em um mês de R$ 20.000, a margem seria de R$ 3.600 (18%), e 40% dela são R$ 1.440. Um piso de R$ 2.000 ficaria acima desse teto. Por isso, confira o piso no mês mais fraco antes de fixá-lo.

Como escolher o modelo em quatro passos?

  1. Levante o faturamento mensal da unidade piloto nos três melhores e nos três piores meses.
  2. Calcule os royalties percentuais e o valor fixo para cada um desses meses.
  3. Verifique se, em cada mês, o royalty fica abaixo de cerca de 40% da margem do franqueado.
  4. Escolha o modelo que passa no mês fraco e registre a base de cálculo na COF. Use a calculadora de royalties para simular outros cenários.

Se a unidade piloto ainda não existe, use projeções como premissa e revise o modelo quando houver dados reais. O guia de como calcular taxa de franquia e royalties mostra como chegar ao percentual.

Perguntas frequentes

Royalties fixos são proibidos pela lei de franquias?

Não. A Lei 13.966/2019 não impõe um modelo de royalties; ela exige que a COF informe as taxas periódicas, com a base de cálculo e o que cada uma remunera.

Posso trocar royalties fixos por percentuais depois de começar?

Trocar o modelo depois exige acordo com os franqueados ou uma cláusula contratual que preveja a mudança. Por isso, defina a forma antes da primeira venda e revise na renovação.

O royalty fixo protege a franqueadora contra meses fracos?

Sim, porque a franqueadora recebe o mesmo valor mesmo quando a unidade vende pouco. O custo dessa proteção é o franqueado sentir mais o peso do valor nos meses fracos.

Dá para cobrar royalties percentuais sobre o lucro?

É possível, mas a base mais comum é o faturamento bruto, porque é mais fácil de conferir. Cobrar sobre o lucro exige contabilidade mais complexa e gera mais discussão com a rede.

Este conteúdo é informativo e não substitui a orientação de um advogado, contador ou consultor de franquias.

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