De onde vem a receita de uma franqueadora
Atualizado em · 5 min de leitura · Equipe Franquiei
A franqueadora ganha com a taxa de franquia, paga uma vez na entrada de cada unidade, e com os royalties, pagos todo mês sobre o faturamento ou em valor fixo. Também pode haver taxas de serviço e sublocação do ponto, se estiverem previstas na COF e no contrato. O fundo de marketing não é lucro. No exemplo de 10 unidades, os royalties somam R$ 48.000 por mês.
Em resumo
- A receita vem do que a franqueadora entrega: marca, sistema e suporte.
- Taxa de franquia é receita de entrada; royalties são receita recorrente.
- No exemplo de referência, uma unidade rende R$ 4.800 por mês em royalties e R$ 57.600 por ano.
- O fundo de marketing é repasse para campanhas, não lucro da franqueadora.
- Toda fonte de receita precisa estar descrita na COF e no contrato.
Quais são as fontes de receita de uma franqueadora?
A receita de uma franqueadora vem do que ela entrega ao franqueado: a marca, o sistema e o suporte. Cada fonte precisa estar descrita na COF e no contrato.
| Fonte | Quando é paga | Natureza | Observação |
|---|---|---|---|
| Taxa de franquia | Na entrada da unidade | Receita de entrada | Remunera seleção, treinamento e implantação |
| Royalties | Todo mês | Receita recorrente | Sobre o faturamento ou valor fixo |
| Taxas de serviço | Todo mês ou pontualmente | Recorrente ou pontual | Por exemplo, aluguel de equipamentos ou taxa de tecnologia, se previstas |
| Sublocação do ponto | Todo mês | Recorrente | Art. 3º da Lei 13.966/2019: aluguel acima do pago ao proprietário só se claro na COF e no contrato |
| Fundo de marketing | Todo mês | Repasse, não lucro | Destinado a campanhas da rede |
Qual a diferença entre receita de entrada e receita recorrente?
A taxa de franquia é uma receita de entrada: ela entra quando uma unidade é vendida. Os royalties são receita recorrente: entram todo mês enquanto a unidade estiver ativa. Uma rede saudável precisa das duas, mas a recorrente dá previsibilidade.
No exemplo ilustrativo de 10 unidades, cada uma paga R$ 4.800 de royalties por mês, e 2 novas franquias são vendidas no mês por R$ 36.000 cada. A receita bruta do mês é de R$ 120.000: R$ 48.000 recorrentes (40%) e R$ 72.000 de entrada (60%).
Se a rede depende muito de vender novas unidades, qualquer mês sem vendas derruba a receita. Por isso, a expansão precisa ser planejada junto com a receita recorrente.
Quanto a franqueadora ganha por unidade?
Para uma unidade que fatura R$ 80.000 por mês, com royalties de 6%, a franqueadora recebe R$ 4.800 por mês. Em um ano, são 12 × 4.800 = R$ 57.600 por unidade ativa.
A taxa de franquia de R$ 36.000 entra uma vez, na venda. No primeiro ano, a unidade gera R$ 36.000 de taxa e R$ 57.600 de royalties, somando R$ 93.600. Essa soma só vale se a unidade operar o ano todo no faturamento de referência.
O fundo de marketing de 2% (R$ 1.600 por mês) não entra nessa soma, porque é destinado a campanhas e deve ter controle próprio.
A franqueadora pode ganhar com fornecedores?
Em algumas redes isso acontece, mas precisa ser transparente. A COF exige a lista de fornecedores obrigatórios e as regras de compra. Qualquer ganho ligado a fornecedores deve ser descrito na COF e no contrato, e o tratamento jurídico deve ser revisado por um advogado especializado em franquias.
Como regra de gestão, evite receitas escondidas: um franqueado que descobre um ganho não declarado tende a questionar toda a conta da rede. Veja também as regras de fornecedores homologados.
Como a receita se compara ao custo de suporte?
A receita precisa pagar o suporte da rede com folga. No exemplo de 10 unidades, o custo de suporte é de R$ 60.000 por mês, ou R$ 6.000 por unidade. Os royalties recorrentes somam R$ 48.000, ou R$ 4.800 por unidade, e não cobrem sozinhos esse custo.
Isso não significa que a conta está errada, porque as taxas de entrada entram no mesmo período. Mas quem depende só da taxa de entrada precisa vender sem parar para cobrir o suporte. O cálculo detalhado está no guia sobre o custo de suporte por unidade.
Como medir a receita da rede sem se enganar?
- Separe receita de entrada, recorrente e repasse em linhas diferentes.
- Confira os royalties com o faturamento declarado de cada unidade no mês.
- Não conte o fundo de marketing como receita de lucro.
- Acompanhe quantas unidades estão ativas, não só quantas foram vendidas.
Quando a rede tem muitas unidades, um pequeno erro na declaração de faturamento vira um erro grande de receita. Se tiver dúvidas sobre a cobrança, a calculadora de royalties ajuda a conferir a conta. A COF e o contrato devem ser revisados por um advogado especializado em franquias.
Perguntas frequentes
Royalties são a principal receita de uma franqueadora?
Depende da fase da rede. No exemplo ilustrativo, com duas vendas de franquia no mês, os royalties são 40% da receita bruta; sem nenhuma venda, passam a ser a receita inteira.
A taxa de franquia pode ser a principal fonte de caixa da rede?
Pode no curto prazo, mas é uma receita que depende de vender novas unidades. Quem se apoia só nela precisa vender continuamente para manter o suporte pago.
O fundo de marketing é receita da franqueadora?
Não deve ser tratado como lucro da franqueadora. Ele é pago pelo franqueado para campanhas definidas na COF, então o controle e a prestação de contas devem ser separados.
A franqueadora pode cobrar aluguel do franqueado?
Sim, quando subloca o ponto ao franqueado. A Lei 13.966/2019 permite aluguel maior que o pago ao proprietário se isso estiver claro na COF e no contrato, sem onerosidade excessiva.
Este conteúdo é informativo e não substitui a orientação de um advogado, contador ou consultor de franquias.